25.1.10
De cigarros e escolhas
Gostaria de saber que palavras teus olhos ouvem
quando os meus dizem "eu te amo".
Há seis meses eu não fumava. Foi numa das primeiras vezes em que efetivamente conversamos, lembra? Tu me disseste, com orgulho, que do alto dos teus quarenta e poucos nunca havia posto um cigarro na boca. Eu disse que não, também não fumava, apalpando a bolsa para ver se a carteira de Marlboro não estava aparente. Seis meses.
Além disso, há algumas vinte e quatro horas, não bebia. Toda aquela máscara de falsa felicidade me dizia que eu não precisava de subterfúgios, que a vida era bela, que, enfim, a sorte me sorria.
Eu realmente me apaixonei por ti. Verdadeiramente, intensamente, enlouquecidamente. Eu resolvi ser "normal", eu encarnei a personagem com tudo para parecer, quem sabe, mais atraente aos teus olhos.
Eu já não tenho mais o mau-humor constante, tão característico da minha personalidade. Eu rio à toa. Eu criei hábitos de mulherzinha, de fazer unhas, de arrumar cabelo, de perder hoooras pensando na roupa que vou usar pra chamar a tua atenção.
Mesmo que nos vejamos pouco, raramente mais do que dez ou quinze minutos por dia, é em ti que eu penso durante todas as horas. Eu me preparo psicologicamente todos os dias, nem que seja apenas para dizer "oi, tudo bem?". A tua simples presença me causa tremedeiras. O coração sai do ritmo. Perco a compostura, até.
Mas tu... tu não me compreendes. Mesmo depois de tudo, depois do que aconteceu, tu insistes nas gracinhas. Me provoca. Eu não sou mais criança, cara. Pode até parecer, às vezes, mas eu não sou.
Eu te quero. Por inteiro.
As pessoas dizem que eu ando mais bonita. Mais simpática. Melhor, em todos os sentidos. Eu tou tentando, eu quero melhorar. Quero ser uma boa pessoa, não quero mais ser lembrada como a "rainha da fossa". Eu encarnei bem a personagem, tenho a felicidade estampada no rosto mas, por dentro, as coisas não vão tão bem assim. E a culpa é tua, cara. Só tua.
A maldita insônia me persegue, e tu és o causador dela.
Não escolhi me apaixonar por ti, tu precisas saber e, sobretudo, acreditar. Foi acontecendo, eu te falei sobre isso naquela noite. A noite que deveria ter sido especial. "Essas coisas não se explicam, apenas acontecem", lembro bem as palavras que eu usei.
Mas tu não me levas a sério.
Eu não desisti, sabia? Nem pretendo. Porque eu sinto, eu sei, que tu também me queres. Do contrário, não teríamos chegado até onde chegamos, não é mesmo? É bom que tu saibas: eu continuo com as mesmas intenções.
E, enquanto provavelmente tu dormes, estou aqui: com latinhas de cerveja e cigarros mentolados como companhia.
Apesar de tudo, ainda acredito. Daqui a pouco visto a máscara de felicidade e vou, rumo a mais um dia na esperança de que tudo mude e que tu, enfim, me vejas com outros olhos.
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